quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Fragilidade psicológica nas olimpíadas

Por karla Gracielle Peres - psicóloga


Os jogos Olímpicos da China mostram aos brasileiros como se faz necessário um trabalho psicológico melhor com os atletas de alto rendimento do país. O caso da ginástica artística é o mais notável, principalmente na figura da jovem Jade Barbosa, que já chegou a disputa derrotada pelos próprios medos e angústias. Na prova que é sua especialidade a atleta não conseguiu nem se manter em pé e terminou a disputa em sétima. Ao fim da apresentação declarou aos jornalistas no local: “Ainda bem que acabou”. Possivelmente ver Dyego Hipólito perder, atleta que era a medalha de ouro mais certa do país, fez a menina perder a concentração.

Fragilidade também foi vista no caso da atleta brasileira no salto com vara Fabiana Mürer. Por ter perdido a vara com que saltaria perdeu completamente a concentração e teve um ataque no estádio. Impediu que as outras participantes saltassem e ficou sem condições psicológicas para realizar o salto, não se classificou. O que restou foram raiva e lágrimas. Os jovens da seleção de futebol também se exasperaram por não conseguir vencer nosso maior rival, a Argentina.O reflexo do descontrole em campo foi dois jogadores que não são violentos expulsos e 3x0 para os hermanos.

Para o atleta de alto rendimento, controle psicológico pode ser uma determinante para a vitória. Vide o caso de Ricardo e Emanuel no vôlei de praia. Mesmo com a possibilidade de dar adeus ao pódio olímpico contra os russos, mantiveram-se calmos e concentrados. Fizeram o que sabiam fazer e viraram a partida. O controle dos dois foi fundamental e pode ser notado em todas as partidas que fazem. Além de receber treinamento físico e tático, é preciso se conhecer, dominar os próprios medos e mesmo angustiado conseguir pensar. Esse pode ser o diferencial entre nada e um pódio.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A síndrome do espelho mágico e a pílula da boa forma

Por Karla Gracielle Peres - Psicóloga


Nas últimas semanas, cientistas Norte Americanos divulgaram a descoberta da pilula da boa forma. Eles afirmam que testaram a droga e os resultados foram crescimento de músculos, aumento do vigor e queima de gorduras. A princípio o resultado é semelhante aos obtidos por anabolizantes e não atoa a preocupação é que o produto seja usado inadequadamente nos esportes. A notícia é boa, metade da população mundial está obesa ou acima do peso. Mas apesar de nova droga, assim como outras já existentes, garantir menos gorduras e mais músculos, não promete evitar problemas como pressão alta, entopimento das veias, alta do ácido úrico e diabétes.

A obssessão do século passado e deste é a forma física perfeita. Todos sonham em ter a barriga, os braços e as pernas das publicidades de TV, revistas e jornais. É uma espécie de sindrome do epelho mágico. Quantas vezes por dia você se olha no espelho de casa? Quantas vezes na rua você analisa seu cabelo, roupa ou seu rosto nos reflexos dos vidros de carros e prédios. Quem não entra em um elevador espelhado e não se olha? Parece que estamos todos em busca de uma resposta. Tentando obrigar o espelho nos dizer se existe alguém mais belo. A vaidade não é algo ruim, mas quando se torna obssessiva é uma doença que precisa de tratamento.

O mal está feito, não há como voltar atrás. São anos de propaganda que ensina como nossos corpos devem ser. Em nome da saúde é tanto melhor praticar esportes a usar drogas. Os efeitos são de longo prazo e sem riscos de efeitos colaterais. Se você não tem corpo atlético, cuidado para não ficar neurótico(a) com essa preucupação. Se aceite como você é. Se está acima do peso te causa problemas de colesterol e outros derivados do sedentarismo, aceite também que você é assim, mas planeje mudar os hábitos.


Procure uma academia ou um esporte que mais lhe agrade e tente controlar o sobre-peso, mas sem neuroses contemporâneas de atingir o modelo ideal de corpo. Exercícite por prazer e de preferência com um acompanhamento de um profissional de educação fisíca. Agora, se a obssessão já tomou conta de você, procure um psicoterapeuta.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

ANÁLISE DE CASO: quando o marido viaja demais

Por Karla Grcielle Peres - Psicóloga


Há aproximadamente duas semanas, a Psiquêbsb recebeu uma mensagem de uma mulher com problemas no relacionamento. O marido viaja muito e quando ela propôs a ele a idéia de fazer um intercâmbio para os Estados Unidos, o marido teve uma crise de cíumes. A grande dificuldade dos relacionamentos é encontrar a harmonia, algo que não depende de uma única parte, mas de um conjunto de ações do marido e da mulher. Como na política ou nos negócios, fazer concessões, às vezes, se mostra como única opção para se manter um relacionamento harmônico.

O problema é quando só um lado faz concessões, como talvez seja o caso da nossa leitora. Aparentemente ela deixa todas as ambições que tem de lado para viver as vontades dos parceiro. Como não disponho de todas as informações do relacionamento e nem ouvi o lado do marido, faço uma análise preliminar e corro o risco de ser superficial. Mas duas coisas podem ter ocorrido neste caso. A esposa vê o marido como o ponto principal da vida e mesmo talvez o único. Com essa visão, acaba por viver a vida dele sem conseguir jamais viver a própria. O marido se acostumou a isso e provavelmente tem tendências machistas.

Sempre que a mulher tiver ambições diferentes da dele surgirá um clima de conflito no lar. A outra possíbilidade é do marido ser viciado em trabalho, mas ainda assim gostar muito da parceira e ter ficado frustrado com a possibilidade dela ir para longe dele. A idéia do intercâmbio pode ter sido apenas uma tentativa de castigá-lo por passar tanto tempo fora. Em qualquer uma dessas opções, ou mesmo em uma terceira possibilidade não descrita aqui, o problema está na falta de comunicação entre as partes e no excesso de trabalho do marido. É preciso uma conversa séria e adulta, onde o diálogo prevalesça.

Ele prescisa entender que não deve trabalhar tanto e dar mais espaço para a companheira. Ela precisa aprender que é capaz de viver sem ele, ou pelo menos não tão dependente das vontades e da vida do marido. Se a situação ficar insuportável, o melhor é procurar orientação profissional em uma terapia de casal. Neste caso deve-se tomar cuidado para não transformar a terapia em desculpa para separação.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

ESPECIAL DIA DOS NAMORADOS: Comunicação e psicoterapia

Por Karla Gracielle Peres


A comunicação funciona como um emissor de mensagens e um receptor. Quando aquilo que é recebido chegou diferente do que foi enviado houve um problema de comunicação. Nos relacionamentos é comum haver falhas comunicativas, em alguns casamentos o passar do tempo parece impor cada vez mais barreiras à comunicação. Em outros, as partes de entendem perfeitamente, até mesmo com gestos e expressões faciais.

Ninguém disse que se relacionar é fácil. Viver também não é. Mas o ser humano tem dificuldades para viver isolado, ele precisa de um outro para se sentir feliz. Segundo o filósofo Nietzche, o amor é egoísta porque o que nós sentimos na realidade é só o prazer que o outro nos proporciona. Em partes ele está correto, isso realmente também ocorre, mas ele não imaginou que também poderia ser bom dar prazer.

No ato comunicativo do casal é preciso se preocupar com o que o outro sente e lembrar de dar prazer ao invés de só receber. O ato comunicativo é fundamental porque é necessária uma interpretação constante do parceiro. Quando ele ou ela diz que você pode ir sossegado, que não tem problemas – é importante fazer uma leitura corporal e até do tom em que aquilo foi dito. Com as palavras quer dizer vá, mas com o corpo pode estar dizendo: preciso que fique.

É difícil poder dizer que um casal poderá resolver os conflitos sem uma intervenção. É uma pena quando ambos negam ajuda. A psicoterapia como caminho não tenta transformar as pessoas, mas apenas mudar a percepção delas. É preciso, porém, ter cuidado para não usar a psicoterapia como motivo para terminar a relação. Se uma das partes não está disposta a salvar a união é fácil culpar o terapeuta. A psicoterapia tem de ser o auxiliar na redescoberta do prazer de estar com o outro, ela deve ajudar a remover as barreiras que foram criadas com o tempo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

ESPECIAL DIA DOS NAMORADOS: Diferenças sexuais

Por Karla Gracielle Peres


Mulheres e homens são iguais em direitos, mas diferentes biologicamente. Talvez cada sexo tenha assumido características necessárias para a sobrevivência da espécie de modo que possibilitasse a evolução. As mulheres têm personalidade mais harmônica e mais empatia. Homens tendem à agressividade e dão maior importância ao status. As mulheres percebem melhor os detalhes e compreendem as sutilezas, os homens já não enxergam essas entrelinhas, mas sabem se orientar melhor espacialmente e compreendem melhor aquilo que é geral.

O que é preconceito e verdade nessas afirmações a ciência, o machismo e a religião tentam comprovar cada um sua tese há séculos. Mas, o que se pode afirmar por enquanto é que existe uma diferença sexual. A mulher tende a se relacionar de acordo com o ciclo menstrual, enquanto o homem a deseja constantemente. Enquanto ele é estimulado por pornografia, nudez, variedade sexual, ela é estimulada por elementos não sexuais como compromisso, carinho, palavras e gestos românticos e intimidade.

Se o homem não precisa de preparação para o sexo, a mulher necessita. O tratamento rude pode acabar com o desejo sexual feminino. Se o homem despreza os sentimentos da mulher corre-se o risco dela sentir repulsa na aproximação masculina. Elas podem se sentir violentadas se são forçadas a fazer sexo quando ainda estão com alguma mágoa. Se o homem não perceber essas sutilezas, arma-se um campo para a temida crise conjugal.

Não é preciso fazer do relacionamento uma olimpíada sexual, é preciso construir um algo mais. Uma relação de cumplicidade, admiração e respeito. O casal precisa abandonar o egoísmo do eu quero e passar a encorajar e amar o parceiro para que as necessidades de ambos sejam satisfeitas. Se não é possível compreender intuitivamente, apóie-se nas experiências anteriores ao relacionamento.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

ESPECIAL DIA DOS NAMORADOS: Conflito conjugal*

Por Karla Gracielle Peres


A crise conjugal é quase sempre relacionada a sintomas mais profundos como problemas de comunicação, egoísmo, ira, amargura, ansiedade, falta de amor, de perdão e de paciência, abuso sexual, alcoolismo e sentimentos que envolvam relações de hierarquia. Na sociedade contemporânea, o conceito de casamento é semelhante a um contrato de negócios: quando uma das partes está insatisfeita ou não cumpriu o acordado, rompe-se o contrato.

Em uma época na qual o divórcio era condenado pela sociedade, a probabilidade dos casais buscarem soluções para os problemas era maior. Mas na vida atual é mais cômodo buscar soluções rápidas, práticas e supostamente de curto prazo – é mais fácil pedir a separação. Depois de consumado o divórcio, não é incomum que os indivíduos comecem outros relacionamentos em poucos dias.

As pessoas apresentam dificuldade em compreender o que o outro apresenta, sente ou pensa. Não existe um esforço real para salvar a relação. A pergunta mais importante que se deve fazer quando se está em meio a uma crise conjugal é: Como fazer o outro feliz quando nós não nos sentimos assim? É preciso reconhecer os próprios limites identificar se o sentimento de amor não é uma mentira, não é apenas uma busca por carinho e por aquilo que não foi encontrado nos pais.

O conflito conjugal é inevitável, pessoas que cresceram em ambientes diversos e com personalidades diferentes tendem a se chocar quando passam a viver uma relação profundamente íntima – o casamento, por exemplo. Antes de propor a separação imediata, se o casal acredita que valha a pena, é preciso um esforço de ambos para se ajustar, disposição para perdoar e compreender e descobrir como solucionar conflitos de forma respeitosa e que preserve a harmonia.

*o especial será composto por três artigos, amanhã (12/06) falaremos de diferenças sexuais e na sexta-feira (13/06) de comunicação nos relacionamentos e psicoterapias. Não percam.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Segurança no relacionamento pode diminuir desejo sexual

Por Karla Gracielle Peres


Segundo estudo divulgado na revista cientifíca Human Nature, segurança no relacionamento diminui o desejo sexual. De acordo com a pesquisa, após quatro anos em um relacionamento, menos da metade das mulheres de 30 anos ainda sente vontade de ter sexo regularmente. Já com os homens é diferente, o líbido permanece o mesmo. A pesquisa associa a questão aos hormônios e ao perfil biológico do macho e da fêmea. também indica que para as mulheres carinho é muito importante no relacionamento, sem importar o tempo que dure a união.

A pesquisa não diz, mas do ponto de vista psicológico, carinho é importante nã só para mulher, mas para o homem também. Nas relações de amizade ou dentro do círculo familiar o carinho é elemento importante para que se mantenha uma união. O problema é quando somente o afeto já não basta e é preciso um algo mais. Quando as partes do casal começam a trabalhar de mais e passam a não ter tempo para dar carinho ou não tem energia para manter relações sexuais é preciso promover alguma mudança na relação.

Quando se chega a esse estágio, o relacionamento pode estar enfraquecido. As mudanças mais comuns são rompimento, traição ou formas inventivas de animar o relacionamento. Em alguns casos, como a pesquisa publicada na Human Nature afirma, a segurança e estabilidade na relação podem ser determinantes para a falta de apetite sexual. As soluçoes podem vir como forma de rompimento, isso quando a situação transpõe a zona limite da boa convivência e do afeto.

Outra opção é tentar encontrar caminhos que busquem o desejo de estar junto e a vontade de ter prazer com a outra pessoa. Viagens, diminuir a carga de trabalho e realizar atividades juntos é uma primeira opção para mudar o status quo do relacionamento. Deixar o sexo mais interessante também é recomendável nesses casos. Para resolver esses tipos de questões é sempre importante buscar a ajuda de um profissional qualificado: um psicólogo devidamente registrado no conselho regional.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Voltar ao trabalho ajuda a combater a depressão

Por Karla Gracielle Peres


O trabalho pode ser um ótimo ponto de fuga para a depressão. Só não serve como alívio para pessoas que tenham o trabalho ou o local de serviço como origem do problema. Trabalhar ou ter uma ocupação deixa a mente atarefada, mobilizada para um fim e desvia o foco daquilo que pode estar causando a depressão. Para os depressivos, voltar ao trabalho pode ajudar a melhorar a auto-estima e ainda fornece uma rotina e uma estrutura, elementos que ajudam o paciente a refeazer a vida.

Além do trabalho, tentar terapias ocupacionais também auxiliam no combate a depressão. A dança pode servir como terapia porque além de ser um exercício físico libera beta-endorfina, também conhecido como hormônio da felicidade. Propor desafios a mente e ao corpo são excelentes opções para tentar alíviar as crises depressivas, mas nenhum tipo de tratamento deve ser tentado sem o acompanhametno de um psicólogo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Primogênitos são mais sucetíveis a punições

Por Karla Gracielle Peres
Por insegurança e medo de correr algum risco, a maioria dos pais preferem errar pelo execesso do que pela falta com os filhos mais velhos. O primogênito, mais do que os caçulas, são sucetíveis a receber mais punições, como cancelamento de mesada ou puxões de orelha. Mas com o tempo e com os outros filhos, os pais se cansam da rigidez e amolecem com os filhos mais novos.
Outro fato que poderia explicar essa preocupação com o primogênito é que em algumas famílias, os pais depositam nos primeiros filhos todas as expectativas e sonhos que foram perdidos ou não concluídos, tanto pelo pai, quanto pela mãe. Nesses casos, nem os mais novos escapam às vezes e também tem de aguentar as pressões dos pais para seguir caminhos determinados.
De qualquer modo, essa tensão em relação ao filho mais velho pode fazer com que eles tenham tendência a não adotar comportamentos de risco. Por vezes, acabam tendo uma postura de super proteção com os irmãos mais novos. Dessa maneira, a possibilidade dos caçulas incorrerem em comportamentos hostis ou de risco é bem maior.

ESTUDO PUBLICADO NA BBC BRASIL
Pesquisadores das universidades de Maryland, Duke e John Hopkins observaram que o ganho de experiência dos pais é importante para a mudança na criação dos filhos. "Por exemplo, supondo que as crianças amadureçam à medida que cresçam, isto pode levar a uma melhor comunicação entre pais e filhos, e a mais tolerância em relação ao comportamento e às atitudes do outro", afirma a pesquisa. "Alguns pais podem não se dar conta totalmente das conseqüências dos comportamentos de risco dos adolescentes até que seu filho mais velho, que se envolveu neste tipo de comportamento, cresça", exemplifica o estudo. "Ao aprender com esta experiência, os pais podem se tornar mais rigorosos com seus filhos mais novos e, por sua vez, os filhos mais novos podem se comportar melhor que seus irmãos mais velhos."